Um mundo sem os Beatles é, infinitamente, um mundo pior

Conseguem imaginar um mundo sem os Beatles? Para quem não esteja a ver quem são, sugiro que saiam do coma induzido e vão ouvir Música. Ou ler biografias. Ou ver documentários sobre eles na Netflix (que os há e bem bons!). Vão lá, eu espero. Não tenham pressa em (re-)descobrir uma banda que é uma das maiores influências, senão A maior influência da música contemporânea.

Agora que já estamos todos mais ricos, vou voltar a fazer a pergunta: conseguem imaginar um mundo sem os Beatles? Para quem os ama verdadeiramente – como eu – é impossível conceber esse mundo. Mas dois loucos, o realizador Danny Boyle (o mesmo de Trainspotting e Quem quer ser Bilionário) e Richard Curtis (argumentista mais dado ás comédias românticas, entre as quais destaco o meu eterno Love Actually, a eterna Bridget Jones ou os eternos Quatro Casamentos e Um Funeral), ousaram pegar em material sagrado e tentar responder àquela pergunta. E a resposta é… não.  Atenção: isto não é spoiler alert! É a constatação de um facto. Por mais voltas que o mundo dê, por mais falhas de eletricidade à escala global que haja, a música dos Beatles perdurará para sempre, enquanto houver memória e uma guitarra. Podem vir Ed Sheerans – aliás, ele só existe porque existiram uns Beatles… –  podem vir Jack Maliks (nome da personagem principal do filme) da vida, mas quando soa o primeiro acorde de “Hey, Jude”, as pálpebras fecham lentamente e entoamos de cor e salteado cada palavra que Paul McCartney escreveu e dedicou ao filho de John Lennon. Mesmo que não a ouçamos há anos, porque, entretanto, meteram-se outras coisas. Por isso, quando a certa altura do filme, o sacrista do ruivo tatuado sugere ao protagonista trocar “Hey Jude” por “Hey Dude”, facas são disparadas e cravadas num peito incrédulo, e ficamos tão atónitos quanto o próprio Malik com aquela heresia. Perdão, sugestão. Ou quando sentimos a aflição de Jack por tentar lembrar-se da letra de “Eleanor Rigby” e só apetece gritar-lhe ao ouvido “Eleanor Rigby, picks up the rice / In the church where a wedding has been / Lives in a dream / Waits at the window, wearing the face / That she keeps in a jar by the door / Who is it for?“. Ou quando um dos produtores do disco de estreia de Malik diz que “Sgt Peppers Lonely Heart Club Band” não é assim um nome tão bom para o álbum…  O QUÊ??? O peito já dilacerado, tem neste momento, a estocada final. Adeus, mundo cruel.

Drama, drama, drama… depois deste drama todo, a impressão com que fiquei é que o filme, à margem da tradicional historinha de amor, quer prestar homenagem ao legado deixado por John, Paul, Ringo e George. E até é louvável porque, nos dias que correm – e correm tão depressa… – é importante não esquecer – como se isso fosse possível? – que os Beatles existiram e que são da maior importância para a cultura pop tal como a conhecemos hoje. Às tantas, estava mais interessada na roupagem que vestiram aos hinos dos Fab Four e de como seria ouvi-los “pela primeira vez” na voz de Um Homem Só (quem já viu o filme, percebe esta referência) do que propriamente no amor adolescente de Jack e da sua amiga de sempre, Ellie que, convenhamos, já sabemos à partida qual vai ser o desfecho (e não, não é spoiler alert, mas é uma comédia romântica, estão á espera do quê? Não é, propriamente, a Guerra dos Tronos, em que morrem todos no fim… ups…). Por mais surpreendente que seja tudo o que está acontecer ao herói da fita – passa de um simples assalariado de um supermercado numa pequena cidade do Leste de Inglaterra, músico de segunda categoria frustrado e sem sucesso a estrela da música de fama internacional meteórica – o actor Himesh Patel acaba por ser pouco expressivo, o que não ajuda a provocar empatia com o público.

Yesterday é um bom filme de domingo à tarde, de mantinha e conchinha, mas é também das melhores músicas de sempre de uma das melhores bandas de sempre. E para sempre!

Nota sobre a autora

Olá, o meu nome é Tatiana Mota e passei ao lado de uma grande carreira na TV e na rádio. Como podem, aliás, ver neste vídeo de 35 segundos que realizei para um passatempo, e onde se denota grande talento de atriz (cof… cof…).

Para além disso, e para não passar ao lado de uma grande carreira na escrita, tenho vindo a desenvolver esse skill não só em publicações de informação cultural, como a LeCool Lisboa, mas também na nouvelle plataforma Reveal Portugal , sem contar também que sou foodie na Zomato.

Se tenho Instagram e Facebook? Claro que sim: no Insta – como dizem os jovens – e na xafarica do Sr. Zuckerberg, estou como sou, sem maquilhagem, em Alta Definição.

Atualmente, não tenho blog – mas já tive – e influencer, só se for a influenciar os filhos das minhas amigas a serem do Benfica. Penso estar a fazer um bom trabalho nesse sentido ?

da música de escala mundial. Mas, mesmo quando nos sentimos um “Tiny Dancer”,  o que é preciso é “don’t let the sun go down on me” e gritar “I’m still standing” a plenos pulmões! Com a certeza de que a nossa canção, seja ela qual for, será só para nós, é “your song”.

 

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1 comentário em “Um mundo sem os Beatles é, infinitamente, um mundo pior

  1. Boa noite amiga Rita FERRO Rodrigues só quem passou esse tempo como eu pode avaliar os sonhos vividos que nós tivemos com as raparigas do nosso tempo alguns como eu casamos com a nossa 1 namorada 😘

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