Com a saúde mental não se brinca

 

No espaço de uma semana, vi duas obras que retratam problemas do foro psicológico, embora de perspectivas diferentes.

 

A primeira foi a maravilhosa peça interpretada pelo maravilhoso Ivo Canelas “Todas as coisas maravilhosas”. Nela, somos embalados por uma lista de coisas que o protagonista escreve ao longo da sua vida – com interregnos – com o intuito primário de provar á sua mãe que a vida tem uma série de coisas maravilhosas pelas quais vale a pena estar vivo. E tem. E, a certa altura, damos por nós próprios a listar mentalmente as nossas próprias coisas maravilhosas. Do simples cheiro da relva molhada acabada de cortar até àquele concerto que nos encheu os poros todos de música…!

 

Sim, é maravilhoso estar vivo para poder viver estas coisas todas. Mas esfregar isto na cara de pessoas que se debatem com a sua própria crise existencial pode ser contra-producente… A peça tem, também, esse intuito: de alertar para o problema da depressão e o quão fácil se pode estar perto do precipício que pode estar mesmo ao nosso lado, no quarto ao lado…

No abismo acabou por ficar Arthur Fleck, ou, como é mais conhecido, Joker, o eterno arqui-inimigo do homem-morcego, o herói Batman. O inadjetivável (de tão bom que é!) e multi-estrelado filme de Todd Phillips, que tem o estratosférico Joaquin Phoenix numa interpretação magistral na pele de um dos maiores vilões da história e das estórias, conta a história de como um enjeitado, que sofre de uma (só uma?) perturbação mental que, em momentos de grande stress, lhe provoca um ataque de riso doentio e incontrolável, se tornou num dos maiores pesadelos de Gotham City. Numa das primeiras cenas, encontramos o triste palhaço-a-dias num gabinete com a sua terapeuta, em que lhe diz uma frase que me ficou na memória que de tão simples e tão actual que é, qualquer pessoa – até a mais sã – poderia dizê-la: “É de mim ou o mundo está a ficar louco?”…

 

Dizem os antigos que “de médico e de louco, todos temos um pouco”. Joker tinha pouco de médico, a não ser o facto de se ter tornado num cuidador (da sua mãe). Mas a loucura engoliu-o. Transformou-o. Perdeu-o.

 

Tanto a peça como o filme têm o sublime condão de abordar um dos temas mais presentes na nossa sociedade: a saúde mental. Todos temos bagagem, mas a uns custa mais carregá-la. E quando o peso se torna insuportável, pode ser tarde demais.

 

Com a saúde mental não se brinca. No sentido em que, quando piscam os primeiros sinais vermelhos, é preciso não ignorá-los. Por isso, ontem, dia 10 de Outubro, assinala-se o Dia Mundial da Saúde Mental. Porque estamos sempre a tempo.

 

 
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Nota sobre a autora

Olá, o meu nome é Tatiana Mota e passei ao lado de uma grande carreira na TV e na rádio. Como podem, aliás, ver neste vídeo de 35 segundos que realizei para um passatempo, e onde se denota grande talento de atriz (cof… cof…).

Para além disso, e para não passar ao lado de uma grande carreira na escrita, tenho vindo a desenvolver esse skill não só em publicações de informação cultural, como a LeCool Lisboa, mas também na nouvelle plataforma Reveal Portugal , sem contar também que sou foodie na Zomato.

Se tenho Instagram e Facebook? Claro que sim: no Insta – como dizem os jovens – e na xafarica do Sr. Zuckerberg, estou como sou, sem maquilhagem, em Alta Definição.

Atualmente, não tenho blog – mas já tive – e influencer, só se for a influenciar os filhos das minhas amigas a serem do Benfica. Penso estar a fazer um bom trabalho nesse sentido.

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