Vou à Tailândia e não quero andar de Elefante

Passear de elefante na Tailândia é uma das principais atrações turísticas do país, mas eu vou à Tailândia e não quero andar de elefante.

Os elefantes, por natureza, não são domesticáveis. Para que eles sejam capazes de obedecer aos humanos e praticar atividades turísticas, estes animais passam por um ritual conhecido como Phajaan, que na Tailândia significa “quebra do Espírito” ou “romper a alma”. Trata-se de um método tradicional e muito antigo onde os elefantes jovens são separados de suas mães (muitas vezes matando-as) e submetidos ao isolamento e à tortura.

Em isolamento, o elefante fica confinado numa gaiola tão estreita que não há espaço para ele se mexer ou sentar. Durante esse período o animal fica sem comer, beber ou dormir. Como se não bastasse, os “treinadores”, também conhecidos como mahouts, usam um instrumento de madeira com ganchos de metal na ponta para torturar os elefantes em áreas sensíveis como olhos e orelhas, para que se tornem ainda mais submissos através da dor.

No final do Phajaan, os animais estão aterrorizados e fisicamente debitados. Lembre-se que tudo isto é realizado apenas para torná-los mais dóceis e submissos às ordens dos seus donos, para poderem ser usados para entreter e carregar turistas.

A ONG britânica World Animal Foundation defende que o processo de domesticação cria animais diferentes dos seus respetivos selvagens, que passam por várias gerações de reprodução seletiva criada pelo homem.

De acordo com uma pesquisa feita pela pela mesma ONG, 75% dos elefantes adultos usados hoje no turismo, foram tirados do seu habitat natural e cerca de 1300 elefantes na Tailândia vivem sob condições terríveis, o que inclui ficar acorrentado a maior parte do dia, não ter acesso a comida adequada, ser obrigado a participar de shows circenses e jornadas de trabalho intensivas, levando pessoas nas costas. 

Em abril de 2016, um elefante morreu no Camboja após carregar um turista; desde 2014, pelo menos 5 turistas foram mortos por elefantes na Tailândia – o stress dos animais fora do seu habitat natural causa comportamentos agressivos, típicos de um animal, naturalmente, selvagem.

No entanto, na Tailândia existem alguns “santuários”  e “centros de resgate” abertos ao público, onde subir em elefantes ou qualquer outra performance não são permitidas. Um verdadeiro centro de resgate prioriza o bem estar do animal. Alimentar, entrar numa poça de lama e depois lavar-se num riacho, andar no meio da floresta com os elefantes livres ,por exemplo, são atividades que, aparentemente, não oferecem não oferecem perigo. Muitos dos elefantes das reservas ou santuários foram resgatados e outros foram comprados às pessoas que os exploravam, para tentar dar a oportunidade de uma vida melhor a estes animais.

Antes de escolher um lugar para fazer um passeio com elefantes, pesquise muito. Descarte logo qualquer lugar que permita subir elefantes, que ofereça trekking ou qualquer performance “de circo”, incluindo pinturas, brincadeiras, etc. Mas fique atento, pois alguns lugares promovem-se como “santuário” ou “orfanato” de elefantes sem o serem, de facto. A escolha de uma reserva com preocupações fidedignas pelo bem–estar dos animais, não é tarefa fácil. Se fizer uma boa pesquisa na internet, vai encontrar testemunhos de pessoas que foram enganadas com publicidade de um lugar encantado para os animais e, no fim, deparam-se com animais acorrentados, desnutridos e mal tratados.

Informe-se com pessoas que já visitaram verdadeiros santuários ou reservas, participe de grupos sobre viagens e não tenha vergonha de enviar uma mensagem nas redes sociais a pedir opiniões.

No final, opte por aquele que ofereça uma política bem restrita no que diz respeito aos maus tratos aos animais e que permita uma aproximação aos elefantes, sem lhes causar qualquer dano.

Muitas pessoas perguntam-me se eu acho que a exploração animal vai acabar só porque eu não vou andar de elefante. Talvez não. Mas eu acredito que o meu pequeno passo aliado aos pequenos passos de muitas pessoas, pode contribuir para o passo gigante de colocar um ponto final à da exploração dos elefantes na Tailândia e noutras partes do globo. “Eu vou à Tailândia e não quero andar de elefante”.

Nota sobre a autora

Eu sou a Marta, tenho 26 anos e em Junho terminei o curso de Medicina. Estou na fase mais temida do percurso médico. Estou a estudar para o exame que nos oferece o lugar numa especialidade, num qualquer lugar do nosso país. Mas as oportunidades de ser médico não se encerram num hospital ou centro de saúde. Há sempre mais que podemos ser, mais que podemos fazer. 
Uma das minhas paixões dentro da área médica é a formação para a saúde: ensinar as pessoas a compreender as doenças, a compreender que cada pessoa tem um papel fundamental no controlo ou cura da sua própria doença. 
Sou ainda criadora do projeto Route92, que se trata de um blog sobre as minhas viagens e passeios pelo mundo com (ainda) pouco impacto no mundo digital que me dá um gozo enorme. 
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