Saudade, a palavra do ano

Quero falar-te sobre saudade.

Sim, aquele sentimento que ocupa o vazio que fica depois da perda ou distância de alguém. Quero que saibas que a saudade que tenho de ti, mesmo sendo do tamanho do mundo, não consegue ocupar o vazio que me deixaste ficar por não te poder abraçar.  

E por cada novo passo que dou, por cada nova incerteza, tenho também medo que o tamanho da saudade que tenho de ti possa nunca diminuir, por mais que o tempo passe. Sem me ter pedido licença, foi no meu coração que se instalou a tua ausência e ainda não me confirmou se algum dia partirá.

Chegou depressa demais, a saudade que tenho de ti. Mas chegou. Como um raio estrondoso e súbito, como o voo de um falcão peregrino ou de um mergulho de albatroz num mar revolto, sôfrego pelo cardume de peixe.

Agora, carrego essa saudade no peito, mas sei que será nesse lugar onde a felicidade vai morar, quando voltares a estar à distância de um abraço.

E é por isso que eu te peço que não fiques triste, por te falar de saudade.

Talvez o mundo rode ao mesmo ritmo do destino e talvez nada aconteça por acaso. Talvez a nossa distância seja apenas um detalhe da longa caminhada da felicidade, e a saudade uma prova de que o mais importante da nossa viagem é e sempre foi, afinal, o mais simples.

Sabes, existe um sentido que tem a ver com o grau de imprevisibilidade de cada uma das nossas horas de vida e, por isso mesmo, a saudade me queira lembrar do quanto eu preciso de ti, em cada segundo que o meu coração bate.

Também te quero falar sobre esperança.

Dizer-te que esta rajada de vento se transformará numa leve brisa e que o mar se voltará a acalmar, terminado o temporal que te levou para longe de mim. 

Quanto isto acontecer, o sol voltará a brilhar e regressará a beleza de cada um dos nossos dias de liberdade.

Prometo que ficarei perto de ti, pondo fim à saudade que o meu peito carrega.

José Rodrigues.

 

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2 comentários em “Saudade, a palavra do ano

  1. Sempre gosto das suas palavras, sr. José Rodrigues. Que bom haver gente que escreve tão puro e doce.
    A saudade que envolve todo o meu ser, cobriu todas as outras minhas saudades e só é sentida e compreendida pelas mães que também perderam o que tinham de melhor, o seu tesouro. Porque este tesouro valia e valerá sempre mais do que nós.
    O respeito que tenho pela palavra “saudade” em geral e tudo o que ela arrasta consigo, é pequena demais para descrever tão grande vazio, tão grande angústia e tamanha dor que dilacera sem piedade, pela ausência de quem tanto amamos – o nosso filho.
    Nós, as mães, sobrevivemos apenas.

  2. Que bela e sentida homenagem a essa palavra..ou melhor a esse sentir..tao nossa..sim..e tao cá de dentro..tudo dito aqui..
    Obrigada pela excelente partilha ❤️

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