Quando te volto a abraçar?

Ainda não sei, mas talvez seja breve. Porém, aviso-te. Depois da tempestade, tens de te sentir forte, porque vou apertar-te com força, como se aperta quem se quer para sempre. E não me vou importar que seja no meio da rua, à porta de tua casa ou até mesmo num lugar qualquer onde o silêncio seja obrigatório.

Vi-te há poucas horas, mas tenho saudades tuas. E quando mais te vejo, mais te aceno, mas te sorrio, mais saudades tenho de ti. Preciso de te abraçar, sabes? Sim, porque a saudade só se mata com um abraço. De preferência, forte. Tão forte como a amizade. Tão forte como o amor. Tão forte como as histórias que te repito vezes sem conta sempre que te reencontro.

Quanto te voltar a abraçar, não vou querer que o tempo acabe. Quero que o sol não nasça se te encontrar à noite e quero que ele não se ponha se te encontrar de dia. Nem ele nos vai fazer isso, sabes? Ele vai querer testemunhar o nosso abraço e saber que é assim que a saudade se mata.

E se houver lágrimas, quando te voltar a abraçar, que escorram pela face e que apenas se enxuguem quando passarem no peito, onde tenho o coração. E não te preocupes se caírem em abundância, pois também assim é a alegria que os olhos querem mostrar quando a saudade se mata.

Quando te voltar a abraçar, quero também pedir-te desculpa. Por te ter abraçado depressa, da última vez que te vi e por não te ter dito todas as palavras que tinha para te dizer. Se eu soubesse que iria estar perto de ti sem te poder abraçar, teria ficado mais tempo junto a ti. O tempo, essa coisa inventada por mim e que agora tenho de sobra…

Acabei de falar contigo, logo depois de te ver à janela e a saudade aumentou ainda ais. Pergunto a mim mesmo quando te volto a abraçar.

Ainda não sei, mas talvez seja breve.

 

Nota sobre o autor

José Rodrigues. De Viseu, com 50 anos, é o autor dos romances “O tempo nos teus olhos”, “Voltar a Ti” e “O rio de Esmeralda”, da Porto Editora. Com formação superior na Área da Gestão e carreira como consultor e formador. Fundador e Administrador da Visar, onde desenvolve toda a sua actividade profissional. A família e os amigos, o karaté, a natação e o futebol veterano complementam o enorme gosto pela escrita.

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4 comentários em “Quando te volto a abraçar?

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