Para a melhor avó do mundo

Para a melhor avó do mundo,
Eu sei que não é o dia da avó que vem aí e sei que também não vamos festejar o dia da mãe. Mas também sei que cumpriste ambos os papéis na perfeição. Sei ainda que não o fizeste por obrigação, não querias que te aplaudissem, que te elogiassem ou que enaltecessem por isso. Querias ser apenas a tua melhor versão em tudo o que fazias.
E que orgulho eu tenho em ter visto tudo isso e sentido cada um desses momentos. Talvez seja este orgulho desmedido, este amor indescritível, esta admiração exagerada que me fez escrever sobre ti, sobre o que eras (e continuas a ser), o que lutaste, o que superaste, o que nos deste e o que nos ensinaste.
Falar sobre tudo isto é falar em saudade. Mas esta saudade é daquelas que enche a alma, o peito, o olhar, o coração e nos alenta todos os dias.
Foi e é tão bom ser tua neta, crescer contigo, tornar-me mulher com os teus conselhos, tornar-me melhor com as nossas conversas. Foi e é tão bom sentir o teu orgulho por cada conquista minha, sentir o teu abraço apertado só com o olhar, sentir aquele “gosto de ti” disfarçado num sorriso incomparável. Foi e é tão bom desabafar contigo, partilhar os medos e as dúvidas, rir das mesmas parvoíces, perceber que me entendes sem eu ter de falar.
Foste uma mulher incrível. Sempre. Mesmo quando, naquele 26 de Janeiro de 2017, te dizem que tens um cancro e que temos de iniciar logo os tratamentos. Mesmo quando ias todos os dias para o IPO fazer as sessões de radioterapia e mesmo assim saías da sala com um sorriso. Mesmo quando depois do cancro estabilizar aparecerem as metástases e tu nos continuavas a encher de fé. Mesmo quando a doença te roubou a memória, a realidade, o discernimento, a tua cor de pele, o teu corpo, a tua mobilidade. Foste uma inspiração em cada fase, em cada dia, em cada notícia, em cada diagnóstico, em cada momento. Foste uma guerreira, daquelas que luta, que acredita e que ainda encontra tempo para nos confortar quando a dor física era dilacerante, e dor psicológica era arrebatadora.
Não saíste vencedora desta guerra, o cancro levou-te nesse mesmo ano. Mas continuo a ter tanto orgulho em ti avó. Deste-me tanto nesse ano, aprendi tanto, cresci numa proporção incalculável, aproveitei cada instante, fiz-te rir nas horas de almoço quando te ligava da universidade, disse-te aquilo que significavas para mim, abracei-te com toda a força e despedi-me da melhor forma que consegui.
Hoje homenageio-te não porque quisesses, não porque me tivesses dito numa das nossas confidências, não porque o pediste. Faço-o porque mereces, porque quero partilhar com os outros a avó maravilhosa que tive, a mãe incorrigível que te vi ser, a esposa dedicada que sempre conheci.
Um dia, quero contar aos meus filhos histórias de vida que inspirem. A tua será certamente, a mais bonita de todas.
Obrigada.
Vemo-nos hoje à noite quando brilhares aí em cima.

 

Notas sobre a autora

Chamo-me Diana Torres e sou de Amarante. Tenho 24 anos e desde sempre gostei muito de escrever, encontrei na escrita a forma de dizer o que penso sem ter de partilhar isso com mais ninguém. 

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