O poder da música na pessoa com Alzheimer

A musicoterapia é, segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, a utilização profissional da música e dos seus elementos como intervenção em ambientes médicos, educativos e quotidianos, com o objetivo de otimizar a qualidade de vida das pessoas e potenciar a saúde física, psíquica, social, emocional e intelectual.

E como é que isto se torna possível numa pessoa com Alzheimer, quando a doença magoa por vermos grandes vidas irem desaparecendo, pouco a pouco, em conversas, em gestos, em olhares…como é que a música pode ajudar quem pensamos estar perdido noutro mundo?

No caso destas pessoas, a musicoterapia tem o poder de evocar emoções e, com isso, reavivar memórias que se pensavam perdidas. Isto porque a memória musical é a última a desaparecer. A música traz sorrisos, olhares, mão na mão. A música traz respostas, traz as memórias que guardamos e que queremos voltar a viver. A música descobre novamente a vida.

No meu curto tempo como musicoterapeuta, pude observar o impacto da musicoterapia nestas pessoas. Pessoas que não falavam nem reagiam a estímulos, pessoas agitadas, acamadas, pessoas que já não conseguiam ter uma conversa coerente, pessoas que falavam como se vivessem noutra época da sua vida. Vi estas pessoas responderem através de instrumentos musicais, cantarem uma canção do início ao fim, responderem a perguntas simples, recordarem-se dos seus tempos de criança, jovem e adultos. Vi estas pessoas a recordarem-se do nome completo de filhos, a contarem aventuras das suas vidas, a descreverem pormenorizadamente locais que fizeram parte de si.

São estas pequenas coisas que nos mostram que estas pessoas continuam connosco e capazes de comunicar. A musicoterapia consegue uma diminuição da agitação e melhor qualidade de vida para estas pessoas. Também tem o poder de voltar a unir famílias, de lhes dar pequenos momentos de conversa entre uma pessoa com Alzheimer e o seu familiar e de lhes permitir conectar com emoções há muito desaparecidas. Não importa o avançar da doença, a pessoa continua lá e a música tem o poder de a reencontrar e de conectar com ela.

Parece impossível, não é? Mas quando o vemos acontecer à frente dos nossos olhos, o coração enche-se de amor e os olhos de lágrimas porque encontramos o tesouro escondido.

Nota sobre a autora

Chamo-me Joana, tenho 26 anos e sou enfermeira e musicoterapeuta. Escrevo para comunicar e para partilhar experiências de vida, porque a escrita toca corações, tal como o cuidar e a música. Atualmente tenho um blog que podem seguir nas redes sociais. Lá dou a conhecer as minhas paixões, aventuras, doenças e a vida com elas. Sou mais um pequeno elefante neste mar de elefantes de papel recheados de vida.

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1 comentário em “O poder da música na pessoa com Alzheimer

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