O Corona vai empurrar a revolução laboral

O emprego, tal como o conhecemos já estava a ficar com os dias contados. A primeira pandemia do século veio empurrar-nos para uma nova era laboral. Já estava na antecâmara essa mesma revolução. Se havia medo e forças contrárias, o contexto atual veio dar o empurrão que faltava.

Estamos prontos?

Não, como é evidente. Porém, também não estávamos prontos para nos fecharmos em casa durante semanas. E tivemos de o fazer. Ora, se houver repetição de situações desta magnitude, toda e qualquer empresa já pensou que tem de desenvolver um plano B para implementar.

Já ouvimos falar na Inteligência Artificial? Já anda por aí. E nós gostamos dela na câmera do telemóvel, mas tememos que nos roube o posto de trabalho e, por isso, olhamos apenas com aquele sentimento agridoce de: queremos que avance, apenas se melhorar a nossa vida, se for para atrapalhar, não queremos! Por atrapalhar entenda-se fazer-nos reinventar o nosso posto de trabalho, ou fazer-nos mesmo de mudar de posto!

Se a revolução industrial trouxe a entrada da máquina para reforçar/substituir a nossa capacidade física. A AI vem dar cartas no reforço da nossa capacidade cognitiva.

Percebeu-se que afinal, a nossa “intuição” não passa de um conjunto de reconhecimentos padrão. Ou seja, sendo as nossas decisões fruto de padrões bioquímicos, a AI consegue replicar. Com vantagens claras: aperfeiçoamento e conectividade. Em segundos, todas as máquinas, estão a receber a nova atualização com o mais recente procedimento. Cenário que jamais aconteceria com a prática exclusivamente humana. É difícil, para não dizer impossível, atualizar de forma simultânea toda uma classe profissional.

Velocidade é a questão do momento.

Esta pandemia veio mostrar que somos mais vulneráveis do que julgávamos. Hoje, desejávamos que todos os hospitais tivessem impressoras 3D, quanto mais não fosse para imprimir viseiras. Desejávamos que houvesse um software que se programasse em segundos para iniciar o processo de construção de ventiladores. Aliás, seria perfeito se houvesse um botão, onde se carregasse e todo o hospital ficasse preparado para lutar contra uma pandemia.

Os efeitos económicos pós-corona viram mostrar que todos temos de ter um plano B para funcionarmos sob estas novas circunstâncias. O facto de se falar em novos surtos da doença sem que haja vacina, obrigam a isso mesmo. Já todos percebemos que não podemos ficar em modo apneia coletiva durante um ano. Não dá para passar uma borracha em cima de 2020 e reiniciar 2021 com o mesmo status de 2019. Que, só para relembrar os mais esquecidos, não foi o melhor de sempre. Por comparação ao atual ganhou esse estatuto. Apenas e só por comparação.

Vamos ter mesmo de reintroduzir o plano revolução laboral, não podemos ficar em suspenso, caso esta ou outra situação bem pior venha a acontecer.

Vivemos à luz dos novos tempos. Se outrora tivemos séculos para retirar a mão de obra do campo e reconduzi-la para fábricas. Agora, vamos ter uma ou duas décadas para encaixar esta revolução no nosso mercado laboral. Muitos empregos, nos moldes em que os conhecemos vão acabar. Hoje fazia sentido que tivéssemos robôs, a vigiar os cuidados intensivos e assim evitar uma classe médica contaminada.  Ah e tal vai faltar o lado Humano! Vai, mas também não é garantir o lado Humano evitando que a classe da linha da frente seja uma das maiores vítimas da doença.

Falamos nos cuidados de saúde, porque são os que nos chamam à atenção nos dias que correm, mas vários outros setores já olharam para a vantagem de ter trabalho remoto, de ter tecnologia de ponta…

Se a última crise nos mostrou o fim do pleno emprego. A nova década que se avizinha traz a revolução laboral COVID-19!

Nota sobre a autora

O meu nome é Inês Pina.

Sou uma marrona que não gosta de estudar, uma preguiçosa trabalhadora e uma fala-barato solitária.

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