Menopausa: 11 dúvidas e 11 respostas médicas

A menopausa é um tema que suscita muitas dúvidas no mundo feminino. À conversa com a Dra. Maria Manuel Sampaio, especialista em Ginecologia e Obstetrícia, tentamos desmistificar algumas questões sobre esta temática.

 

O que é a Menopausa?

 Menopausa é o termo que se designa a última menstruação, confirmada após 12 meses sucessivos sem período menstrual. 

Em termos clínicos assinala o final da fase reprodutiva da mulher.

 

O que é a peri-menopausa?

Definida por um período variável, entre 4-8 anos, de transição, que engloba até um ano após a menopausa.

 

Que janela de idade?

Denomina-se menopausa precoce, quando ocorre antes dos 45 anos e falência ovárica prematura quando ocorre antes dos 40 anos.

 

Que sintomas estão associados à menopausa?

São vários os sintomas potencialmente associados à menopausa.

Regra geral está na origem dos sintomas a baixa de estrogénios associados a esta fase da vida da mulher.  Nem todas as mulheres os sentem, e podem coexistir diferentes sintomas na mesma paciente.

 

Os principais sintomas são: 

– sintomatologia vasomotora (onda de calor que normalmente sobe do peito, pelo pescoço e face, acompanhado de sensação de suor e rubor)

– alterações do sono (insónia)

– instabilidade emocional

– alterações cutâneas (secura generalizada)

– atrofia vulvovaginal /síndrome genito-urinário da menopausa ( atrofia, secura, falta de lubrificação, dor nas relações, incontinência urinária e infeções urinárias de repetição)

– baixa da libido

 

Mais tardiamente o défice de estrogénios está associado ainda a:

​- osteoporose (perda de massa óssea)

​- alterações cardiovasculares (aumento Hipertensão, diabetes tipo 2, displipidemia)

​- doenças neurocognitivas como a Doença de Alzheimer

 

Existem tratamentos para atenuar os sintomas da menopausa? Quais são? 

Atualmente os tratamentos são direcionados aos sintomas e não à doença.

Os tratamentos são cada vez mais individualizados à paciente.

Obviamente que a reposição hormonal, sendo direcionada à etiopatogenia (baixa de estrogénios), acaba por melhorar de modo global os sintomas.

Dispomos atualmente de vários tratamentos direcionados aos sintomas.

 

O que é a terapia de substituição hormonal (TH)?

Sendo que o que provoca a menopausa é a diminuição do estradiol (níveis inferiores a 20pg/ml), e é este declínio o responsável pelos principais sinais e sintomas a reposição hormonal é a terapêutica base utilizada.

A terapêutica de substituição hormonal vem repor os níveis de estrogénios e minimizar todos os sinais e sintomas.

 

Existem outras possibilidades de tratamento? Quais? 

Sim, existem outros tratamentos direcionados aos sintomas, como por exemplo:

– sintomas vasomotores:

– antidepressivos ( em particular a venlafaxina e a paroxetina)

–  gabapentina, 

– fitoestrogénios (isoflavonas são derivados das plantas com efeito estrogénico)

-síndrome genito-urinário:

– hidratantes vulvovaginais

– lubrificantes

– laser CO2 ( estimulação da vascularização e formação de colagénio, com regeneração das mucosas)

– ácido hialurónico

– osteoporose

​- vitamina D e cálcio

​- raloxifeno

​- bifosfonatos 

 

A terapia de substituição hormonal é adequada a todas as mulheres ?

São contraindicações ao uso da TH uma longa lista de condições médicas, sendo as principais:

– hipertensão arterial não controlada

– antecedentes de Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar

– antecedentes de AVC ou AIT

– trombofilia

– antecedentes de Cancro da mama ou outra neoplasia hormonodependente

– doença hepática aguda

– hemorragia genital não esclarecida

 

São contra-indicações relativas:

– Diabetes

– Risco elevado de carcinoma da mama

– Risco elevado de doença cardíaca

– e muitas outras patologias

 

Pelo que a TH tem que ser individualizada e em todos os casos ponderado o risco- benefício. (Existem exames auxiliares de diagnóstico que devem ser realizados previamente e  algoritmos médicos para ajudar a decisão de iniciar TH).

A duração do tratamento e o timing ideal de início do mesmo também é fundamental.

 

Que soluções não hormonais existem no mercado ou à disposição das Mulheres para aliviar as queixas de afrontamentos, suores noturnos e insónias?

– alguns antidepressivos

– fitoestrogénios – tal como o nome indica são substâncias análogas aos estrogénios, produzidas pelas plantas, apresentando efeito estrogénico. O  grupo mais conhecido é das isoflavonas de soja, que podem ser usadas como suplemento na menopausa, com o intuito de melhorar os sintomas resultantes do défice de estrogénios, de um modo mais natural.

 

 A partir dos 45 anos, as Mulheres podem fazer algum tipo de suplementação para prevenir os primeiros desconfortos (afrontamentos e insónias)?

Podem e devem. Com a baixa de estrogénios, podem surgir vários sintomas associados, como já referido previamente (sintomatologia vasomotora/alterações do sono/ instabilidade emocional/ secura da pele/ atrofia vulvovaginal /baixa da libido, …),  qualquer suplementação que contrarie esta diminuição de estrogénios é benéfica. Um exemplo são as isoflavonas de soja, referidas anteriormente.

 

Que suplementação complementar é aconselhável fazer para ter benefícios ao nível cardiovascular, osteoarticular (ex: cálcio)?

Não é consensual … até porque se a alimentação for “normal”, não trará muitos benefícios…

 

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 O Elefante de Papel agradece à Dra. Maria Manuel Sampaio as informações cedidas para a elaboração deste 

 

Nota sobre a autora:

Maria Manuel Sampaio

Especialista em Ginecologia e Obstetrícia

Hospital Privado CUF Porto

www.mariamanuelsampaio.pt

 

 

 

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