Homecoming – a film by Beyoncé

O talento esmaga-me. Já o disse aqui e volto a dizer, porque as verdades são para ser ditas, tantas vezes quantas quisermos. Mas, mais que o talento, a paixão por aquilo que se faz é algo que deve ser partilhado, como modo de vida, como inspiração, porque fazer aquilo que se gosta pode estar só ao alcance de alguns, mas deve ser ambicionado por todos.

Estreou – estreou, é como quem diz… caiu que nem uma bomba, à laia da estrela em questão! – esta semana, na plataforma de streaming Netflix, o filme-concerto/documentário/obra-prima/o que lhe quiserem chamar de Beyoncé, Homecoming. Chama-se, assim – traduzindo para português, regresso a casa – porque foi isso que ela quis fazer, regressar a casa. Mesmo que o Festival Coachella, ou o local onde este se realiza (na Califórnia), não seja a terra-natal de Beyoncé. Mas, como eles dizem, os anglo-saxónicos, “home is where your heart is” (casa é onde está o teu coração). O coração de Beyoncé estava em Coachella, em 2017, quando ela decidiu que lá ia actuar. Sim, ela diz isso no filme “Quando eu decidi ir a Coachella”. Só por aqui, já vemos o poder desta menina. Sim, ela decidiu. Ela vai. Ela pode. Porquê? Porque Beyoncé. Contudo, mesmo ela sendo Beyoncé, a vida também lhe troca as voltas. Há uma frase que eu gosto muito que diz que “nós fazemos planos e Deus (ou a vida, para quem não acredita naquela Entidade) ri-se”. Pois, a vida trouxe uma gravidez inesperada de gémeos que a obrigou a cancelar a atuação naquele que é o maior festival dos E.U.A. Mas iria ficar Coachella entalado na garganta de Beyoncé? Hell, no! Não foi em 2017, foi em 2018! E depois de uma gravidez atribulada em que até um dos bebés teve paragens cardíacas – o que a obrigou a uma cesariana de emergência -, Beyoncé construiu de raiz um espetáculo que, certamente, ficará não só na história do Festival Coachella, mas também na da cultura pop mundial. O que este documentário nos mostra também é essa simbiose, essa harmonia entre a comum mortal e a deusa. No fundo, uma Mulher. Uma Mulher que sofreu com as inseguranças do pós-gravidez, que fez uma dieta rigorosíssima e que, quando conseguiu caber num dos seus primeiros fatos de show, fez uma dancinha vitoriosa e teve necessidade de partilhar a conquista com o marido. Uma Mulher que levou os filhos para o trabalho, porque estava a amamentá-los. Uma Mulher que se debateu entre estar a dar demasiado ao trabalho e a negligenciar a família. Uma Mulher que não desistiu, apesar das dores no corpo, e que esteve presente em todas as fases da produção do espetáculo, desde a escolha do material com o qual foram feitas as escadas do palco até ao design dos fatos quer seus quer de quem actuou com ela, passando pelo soundstage até aos passos das coreografias insanamente ensaiados até ao limite. Uma Mulher que se/nos entregou um espetáculo de duas horas irrepreensível (Flawless 😉).

Para nós, foram duas horas, para ela foram 8 meses. 8 meses de criação. Sobretudo, de mensagens, de statements. Para quem ache que é só um concerto, não é SÓ um concerto. Homecoming é o nome da celebração que acontece nas universidades norte-americanas, no início dos anos lectivos. Daí que a banda de apoio seja algo que se assemelha a uma marching band, também muito presente nas universidades. As roupas na primeira parte do concerto têm letras gregas, como as repúblicas de estudantes, ou sororities, com as iniciais BK, de Beyoncé Knowles. Mas porquê todo este imaginário académico? Beyoncé quis prestar homenagem às suas raízes, à black culture norte-americana e invocou-a de diversas formas, entre quais, relembrando as Historically Black Colleges and Universities (HBCU) que eram instituições de ensino superior que existiam na altura da segregação racial, antes do Civil Right Act de 1964. O acesso ao ensino superior era muitas vezes negado aos afro-americanos, daí que estas universidades lhes garantissem o prosseguimentos dos estudos, sem que a cor da pele constituísse obstáculo.

A cor da pele, sempre a cor da pele. Beyoncé não a renega. Pelo contrário, celebra-a, exorta-a! Cada músico e cada dançarino foi escolhido por ela. Todos eles negros. O hip-hop e toda a sua envolvência, sobretudo a dançável, é uma constante, sem descurar os trajes, nomeadamente o de Nubian Queen, uma rainha africana. Quem mais senão Beyoncé para se vestir de rainha, não fosse ela a Queen B? E, no entanto, durante o espetáculo, pergunta “Onde estão as minhas rainhas?”, “Onde estão as Divas?”. Porque, para ela, cada mulher é uma Rainha, uma Diva e deve sentir-se assim. Se vir uma bailarina um pouco mais curvilínea, não estranhe, sorria! Se dança e tem talento para o fazer, porque não? O importante é quebrar barreiras e lutar contra os preconceitos, sejam eles quais forem! Por isso, não se surpreenda quando vir imagens de homens a cantar, a plenos pulmões “WHO RUN THE WORLD? GIRLS!”. Mesmo que não acreditem no que estão a cantar no dia-a-dia, ali, Beyoncé fá-los cantar e acreditar no que estão a dizer, qual mantra! Alguém disse que a felicidade só é plena quando é partilhada. E quem melhor do que a família para partilhar a felicidade? Venha o marido, a irmã, as melhores amigas, a filha mais velha (no backstage)… Conceito de família no espetáculo? Check!Quer uma definição de feminismo? Veja o filme.

Quer uma mensagem de empoderamento feminino? Veja o filme.

Quer uma lição sobre orgulho racial, sem ser racista? Veja o filme.

Quer ver o resultado de 8 meses de trabalho de equipa, esforço, sacrifício, liderança e tudo aquilo que papagaiam nos anúncios de ofertas de emprego? Veja o filme.

Quer ver história da música? Veja o filme.

Pela sua saúde, veja o filme!!! (Ok, se calhar aqui já estou a ser um bocadinho dramática…).

Ah! Entretanto, parece que a Madonna tem disco novo e até lançou esta semana um single nov… mas, Beyoncé.

Nota sobre a autora

Olá, o meu nome é Tatiana Mota e passei ao lado de uma grande carreira na TV e na rádio. Como podem, aliás, ver neste vídeo de 35 segundos que realizei para um passatempo, e onde se denota grande talento de atriz (cof… cof…).

Para além disso, e para não passar ao lado de uma grande carreira na escrita, tenho vindo a desenvolver esse skill não só em publicações de informação cultural, como a LeCool Lisboa, mas também na nouvelle plataforma Reveal Portugal , sem contar também que sou foodie na Zomato.

Se tenho Instagram e Facebook? Claro que sim: no Insta – como dizem os jovens – e na xafarica do Sr. Zuckerberg, estou como sou, sem maquilhagem, em Alta Definição.

Atualmente, não tenho blog – mas já tive – e influencer, só se for a influenciar os filhos das minhas amigas a serem do Benfica. Penso estar a fazer um bom trabalho nesse sentido 🙂

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