Gson, Zara G, Kroa e Zizzy Jr.

 

Amigos de sempre, nascidos e criados em Vialonga onde o Hip Hop crescia na rua ao mesmo ritmo que eles, ouvindo-lhes as dores e alegrias e fazendo-os sentir-se parte de uma tribo.

Foi a visão e o amor de outros dois amigos mais velhos, João “La Bella Mafia” Rossi e Pizzy, que fez nascer o Gang como o conhecemos. Rossi fê-los acreditar que era possível 4 putos do bairro conquistarem o mundo e que tocariam na Lua com a ponta dos dedos se levassem a música a sério e, sobretudo, se acreditassem neles próprios e uns nos outros. Fê-los descobrir o carisma, a capacidade de inspirarem os outros e de se realizarem a fazer música – nunca deixando de ser os putos malandros que sempre foram.

Rossi morreu, em circunstâncias trágicas – nunca comentadas pelo grupo – pouco tempo depois de os ter unido para sempre. É importante explicar que a memória de Rossi e a preservação da sua imagem e nome são a bússola que guia o gang e nada para eles é mais importante. Há um trauma latente, uma saudade imensa que em vez de os travar, os faz agarrar infinitamente o futuro, prosseguir a homenagem, honrar o amigo fazendo sempre melhor, sendo cada vez mais FAMÍLIA.

E são. Conhecem-se de cor e salteado como as ruas de Vialonga que calcorreavam em garotos e que colocaram no mapa da música portuguesa pelas melhores razões. Os defeitos, os feitios, as potencialidades e inseguranças de cada um. A música sai-lhes ao ritmo daquilo que vão vivendo e observando, sem líderes ou primeiras figuras, valem todos o mesmo e, todos juntos, valem muito. No YouTube, o último hit da banda já vai com 22 milhões de visualizações. Sim, 22 milhões. Um case study.

Os putos negros de Vialonga venceram – e como os próprios dizem -“ser negro e vencer na música em Portugal não é fácil”. Pois não.

Venceram e permanecem no bairro, agarrados uns aos outros, no colo das mães que todos amam desmesuradamente, fiéis às suas raízes, hábitos e manhas.

Até quando? Não sabemos. Afinal, tocaram a Lua com a ponta dos dedos e ainda agora começaram a caminhada.

Os filhos do Rossi estão para ficar e nós, prontos para os ouvir às 4 da manhã ou às 3 da tarde, aos gritos a cantar com os nossos filhos no carro. Nós e as nossas tribos, porque a música une e aproxima, sobretudo quando é oferecida por miúdos que fazem acreditar que vale a pena lutar pelos sonhos.

Rossi sabia. E quase que o consigo ouvir cantar lá onde está, celebrando o sucesso dos seus miúdos.

Senhoras e Senhores: Wet Bed Gang ✨

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3 comentários em “Gson, Zara G, Kroa e Zizzy Jr.

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