De volta a casa: o regresso de Downton Abbey

Downton Abbey passou do pequeno para o grande ecrã, trazendo de volta as mesmas personagens que tanto nos encantaram ao longo de seis temporadas, entre 2010 e 2015, como Maggie Smith, Michelle Dockery, Hugh Bonneville, entre muitos outros. O filme como seguimento da série britânica foi realizado por Michael Engler e com um argumento escrito por Julian Fellowes, que transitou da série para o filme.

O projeto cinematográfico de Downton Abbey recorreu à mesma extravagância a nível de cenário e de guarda-roupa a que já tínhamos sido habituados ao longo da série. O filme retoma a história da família do Lorde Grantham, os Crawley, uma família da nobreza britânica, que vive no condado de Yorkshire. O filme tem lugar no ano de 1927. São recuperados os problemas típicos da sociedade de classe alta da época e da sua família, bem como dos numerosos criados da casa que fazem com que ela se mantenha em pé e continue a funcionar no seu melhor. O enredo central revolve em redor da honrosa visita da família real, por uma noite, à mansão de Dowton Abbey. A antecipação da visita deixa todos, ou quase todos, desde nobres a criados, extremamente entusiasmados, expectantes e até obsessivos com a visita, proporcionando diversos momentos cómicos. Mas não são só estas personagens que são afetadas pelo fascínio da família real. É interessante notar como muitas pessoas se deixam encantar e deslumbrar com todo o mundo da realeza e da nobreza, principalmente britânicas, que já deram e dão pano para mangas a nível cinematográfico e televisivo, basta olhar para o sucesso mundial de Downton Abbey. Talvez nos deixemos atrair por um mundo que parece tão distante da nossa realidade, mas ao mesmo tempo está tão perto. Talvez sejamos seduzidos pelo dinheiro, a classe e o glamour que são transmitidos. Talvez tenhamos apenas um interesse puramente histórico ou queiramos viver uma vida que parece feita para um príncipe ou uma princesa. Qualquer que seja o motivo, não há dúvida de que faz mover multidões.

Parece que o filme tem um pouco de tudo, desde lutas entre os criados de Downton e os da família real, às regulares dúvidas e indecisões sobre o futuro da casa, até a disputas sobre heranças, divisões e oposições entre os defensores da monarquia, os apoiantes da república, contando, ainda, com opiniões dos independentistas irlandeses, passando brevemente pelo crime que era, na altura, a homossexualidade. A pergunta que se impõe é: como é que tantos percalços, contratempos e personalidades fortes vão culminar numa visita bem-sucedida da família real? Terá mesmo de ver o filme para saber a resposta a esta pergunta.

Ver o filme de Downton Abbey é como regressar a casa. Regressar a um sítio cujas paisagens nos são familiares, onde conhecemos todos os cantos à casa (não obstante a sua dimensão), cujas personagens, as suas personalidades e as suas histórias já não são um mistério para nós. Quem nunca viu a série, mas tem interesse em ver o filme, não tem muitos obstáculos a fazê-lo. Apesar de ser muito mais interessante e empolgante para os fãs da série, qualquer pessoa que aprecie dramas históricos, está convidada e irá, certamente, perceber tudo (praticamente) sem que tenha de estar sempre a interrogar a pessoa ao lado num infindável jogo de quem é quem.

A verdade é que, apesar do entusiasmo que é ver uma série que nos é querida na televisão, nada se compara ao entusiasmo de a ver no grande ecrã. Contudo, Downton Abbey o filme, podia facilmente ser mais um episódio da série. Não traz necessariamente nada de novo, talvez personagens mais consolidadas e certas de quem são, com menos querelas entres si, com vidas estabilizadas. Temos escassas informações sobre o futuro de algumas personagens, que fica minimamente esclarecido, mas ao mesmo tempo o de outras permanece incerto ou ficapara a imaginação dos espectadores especular sobre o que vai acontecer, apesar de não ser muito complicado. Nem sequer o final do filme é completamente conclusivo, ou seja, todos os acontecimentos ficam terminados, mas poderia ser o término de um outro episódio que continuaria com uma nova história no episódio seguinte. O filme está longe de ser um desapontamento, mas também não é um mundo novo. Talvez isto deixe no ar a sensação de que poderia existir facilmente um segundo filme no seguimento deste.

Ainda assim, o filme faz despertar em nós sentimentos de nostalgia que fizeram com que uma fã da série dissesse à saída da sala de cinema: “Já estava com saudades”. É isto que o filme de Donwton Abbey desperta nos seus admiradores. É uma película que, para os mais sensíveis, pode fazer surgir algumas lágrimas, principalmente devido à óbvia cumplicidade entre avó e neta, ou Lady Mary e Violet Crawley, mas que, na sua essência é profundamente cómico graças aos sempre sarcásticos e altamente desconcertantes comentários de Violet Crawley, a Condessa Viúva de Grantham, interpretada pela brilhante Maggie Smith.

É um filme que, não sendo groundbreaking, como dizem os americanos, deixa-nos, sem dúvida, com uma sensação de conforto, de regressar ao que nos é familiar e com um grande sorriso na cara. Só por isso, acho que vale a pena ir dar uma pequena grande olhadela a este fenómeno passado num mundo que sempre fascinou e continua a fascinar.

 

Nota sobre a autora

O meu nome é Maria Inês Marques, tenho 19 anos e sou estudante de Ciências da Comunicação. Desde que me lembro que sempre gostei de escrever e quis ser escritora. Com o passar do tempo comecei também a apaixonar-me pelo jornalismo. Tenho várias paixões, mas a escrita e o cinema superam qualquer uma. Para mim, escrever é a melhor maneira de expressar aquilo que sinto e penso e fazer com que a minha voz seja ouvida. Sempre que escrevo sinto-me mais feliz e espero continuar a fazê-lo durante muito tempo e cada vez melhor. 

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