Com o coração, depois de amadurecer, podemos conquistar o mundo…

O tempo nunca para. Aquele que não incluiu momentos ou lugares onde se gostaria de ter utilizado uma grande parte dele e também aquele que foi utilizado no seu lugar. A maturidade, a grande prova da velocidade da vida, será juíza das escolhas feitas, mas também uma poderosa guia do tempo que restará.

Aceitando que não é possível fugir da maturidade, pode optar-se por louvar as suas vantagens, colocando à altura do espírito, da memória, da experiência e da imaginação, o vigor e o prazer sentidos na juventude, altura em que, por vezes, tão pouco se aproveita. Depurada pelo esforço dos dias, a maturidade pode tornar-se sublime a partir desses laços invisíveis com a intimidade do mundo.

Afinal, já está começado o rio, mas não está acabado até desaguar no oceano e, entretanto, passa por ciclos distintos, mais ou menos agitados, mais ou menos abundantes, estreito na nascente, largo e espraiado na foz. A vida é assim, como o fluxo de um rio que pode correr o mundo, quem sabe conquistá-lo.

Mas, conquistar o mundo é sempre um exercício de luta muitas vezes inglória e invisível. É um caminho sozinho. Mas as margens que ladeiam as veredas do caminho são sempre duas. A maturidade tem destas coisas: alegria, desapego e amor, com tudo o que este implica de liberdade e respeito.

Porém, a água do nosso rio é soberana. No seu leito corre todo o nosso presente, a família, os amigos e os desejos para o futuro. No entanto, correm também todos os lugares onde fomos felizes no passado, incluindo as pessoas que ficaram guardadas no nosso interior mais profundo ou até mesmo um grande amor. De que falamos afinal? Da memória. Do processo frágil da sua construção, sempre esquivo, sempre surpreendente. A consciência da fragilidade humana na sua luta com o tempo e o espaço é o segredo.

Talvez a cada idade física se faça equivaler uma estação do ano, como se diz por aí. No entanto, talvez seja possível transformar o outono físico da vida numa bela primavera, com as mais belas flores e prados verdes. Afinal, nem sempre a mais encantadora estação do ano traz o sol todos os dias, mas a sua beleza não se perde por isso. Talvez seja mesmo assim, pois o verão nem sempre traz o mar calmo nem as suas luas se conseguem ver todas as noites. Talvez o amor e a amizade não precisem de ser complicados e o coração consiga assim, de forma simples, fazer magia com todas as estações.

A maturidade deu-nos o tempo. Por isso, contentemo-nos com o tempo que nos é dado, seja ele qual for, porque não temos outro.

O único que temos para conquistar o mundo…

 

Nota sobre o autor

José Rodrigues. De Viseu, com 49 anos, é Autor dos romances “O tempo nos teus olhos”, “Voltar a Ti” e “O rio de Esmeralda”.

Com formação superior na Área da Gestão e carreira como consultor e formador. Sócio fundador da Visar, onde desenvolve toda a sua actividade profissional. A família e os amigos, o karaté, a natação e o futebol veterano complementam o enorme gosto pela escrita.

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