Casa

Uma casa. Na serra ou no campo, com vista para a praia ou para outra coisa qualquer. Uma casa com acesso imediato a todas as estrelas do céu. Um jardim florido do qual eu cuidaria todos os dias e um terreno do tamanho do nosso amor para dares vida ao que a tua imaginação quisesse. Uma casa com “c” grande ou melhor, um amor com “a” grande.

Misturar o rosa e o preto, o oito e o oitenta, os filhos com os cães e ter a família mais numerosa do Mundo. A mais feliz do Mundo. Decorar todas as paredes de amor e todos os tectos de esperança. E que todo o chão daquilo que um dia chamaremos lar seja como a relva mais verde e mais segura que alguma vez sentimos.

Uma vida modesta, uma vida que privilegia o amor, o verdadeiro amor, que certamente os anos nos ensinarão o que é. Um tempo bem passado, unido por quem aparentemente seria oposto e se tornou o equivalente. Por quem um dia dizia ser distinto e se tornou semelhante.

Jantaríamos sempre acompanhados, nem que fosse apenas da nossa melhor garrafa de vinho tinto. Recordaríamos as melhores histórias da nossa rebelde juventude que tinham sempre o mesmo fim, a preocupação com quem, hoje, partilhamos a vida, mesmo sem saber o que esta é.

Conheceríamos o olhar um do outro como se nos víssemos ao espelho, num mundo à parte, onde as palavras já nem sempre seriam precisas para nos compreendermos. Onde duas pessoas opostas se entenderiam como se fossem uma só.

Viverias no meu coração, num lugar privilegiado do meu coração e garantir-me-ia que nada te iria faltar. Cuidaria de ti, se me deixasses, podes crer que cuidaria de ti. Que te daria os melhores conselhos e que seria a melhor ouvinte que alguma vez tiveste. A melhor companheira que alguma vez tiveste. Que aturaria a tua má disposição matinal assim como tu aturarias a minha, e que, não sendo tudo rosas, plantaríamos flores diferentes pois jamais nos faltaria a criatividade.

Sentiríamos o tempo a passar por nós e estaríamos sempre presentes. Pois apesar de diferentes, os nossos valores são tão iguais que, sem ter outra alternativa, veríamos partir pessoas que sempre morarão dentro de nós.

E, todos os dias, com lágrimas ou sorrisos veríamos ainda chegar aqueles a quem ensinaremos o sentido da vida. O nosso verdadeiro sentido da vida.

Imagino um futuro contigo, imagino o nosso amor daqui a uns bons anos. Imagino crianças a correrem por uma casa que a chamaremos de lar. Imagino o meu corpo, o teu corpo, cada vez mais maduro, cada vez mais gasto, em que tudo é melhor. E a velhice torna-se uma coisa tão boa de viver.

 

Nota sobre a autora

Chamo-me Inês Ferreira Lopes, tenho 18 anos e sou da Figueira da Foz. Encontro-me a meio da licenciatura em Estudos Clássicos, com menor em português.

Apesar de gostar imenso de ler, escrever sempre foi a minha paixão por sentir o peso das palavras e por me identificar com variadíssimos géneros literários.

Instagram: @sobolosolhosmeus

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